unhas fracas

Unhas Fracas e que Quebram Fácil: Causas, o que Falta no Organismo e o que Eu Explico no Consultório como Dermatologista

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Dra. Jéssica Soares
Dra. Jéssica Soares Dermatologista Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia · CRM/SP 254209 | RQE 126045

A unha que descasca em camadas no fim do dia. A ponta que lasca só de encostar na roupa. A quebra bem no meio, sem nenhum motivo aparente. Se você chegou até aqui pesquisando por que suas unhas quebram fácil, provavelmente já ouviu — ou já se perguntou — se falta alguma vitamina no seu organismo.

É uma pergunta justa, mas a resposta raramente é tão simples quanto “tomar biotina resolve”. Há várias causas possíveis para unhas fracas, e nem sempre a origem é nutricional — pode ser hábito de cuidado, hormônio ou até um efeito colateral de exposição repetida à água e produtos de limpeza. O erro mais comum que vejo no consultório é a paciente já ter gastado meses (e dinheiro) num suplemento vitamínico genérico, sem nunca ter investigado se realmente havia uma deficiência por trás.

Neste artigo, explico como a unha cresce e por que ela quebra, as causas mais comuns que vejo no consultório — incluindo as deficiências nutricionais que realmente têm respaldo clínico — como diferenciar um desgaste passageiro de um sinal que merece investigação, e o que fazer em cada caso.

Como a unha cresce (e por que ela quebra)

A unha é formada por camadas de queratina produzidas pela matriz ungueal, uma estrutura localizada sob a cutícula. Diferente da pele, a unha não tem capacidade de se regenerar rapidamente: uma unha de mão leva em média 6 meses para crescer por completo, e uma unha de pé pode levar entre 12 e 18 meses. Isso significa que qualquer agressão à matriz — nutricional, química ou mecânica — só aparece na lâmina visível semanas ou meses depois, o que torna difícil identificar a causa só de olhar para a unha já quebrada.

Existem dois padrões principais de fragilidade ungueal que vejo no consultório: a onicorrexe, quando a unha racha em linhas verticais, geralmente da ponta para a base; e a onicosquize, quando a unha descama e se separa em camadas horizontais na borda livre. Os dois padrões podem coexistir, e cada um tende a apontar para causas ligeiramente diferentes.

Principais causas de unhas fracas e quebradiças

Deficiências nutricionais — o que realmente falta no organismo

Ferro é a deficiência nutricional mais associada a unhas fracas — mesmo antes de haver anemia instalada, a baixa reserva de ferro (ferritina baixa) já pode afetar a formação da queratina ungueal. Zinco e proteína insuficientes na dieta também comprometem diretamente a estrutura da unha, assim como a vitamina D em casos de deficiência mais significativa. A biotina (vitamina B7), apesar de ser a mais lembrada popularmente, só faz diferença real quando existe deficiência confirmada — que é bem menos comum do que a publicidade de suplementos sugere.

Exposição repetida à água e produtos de limpeza

Essa é, na prática clínica, a causa mais frequente de unha quebradiça — e a mais subestimada. O ciclo de molhar e secar a unha várias vezes ao dia (lavar louça, tomar banho, lavar as mãos com frequência) faz a lâmina ungueal expandir e contrair repetidamente, enfraquecendo sua estrutura ao longo do tempo. Detergentes e produtos de limpeza agravam o quadro por removerem os lipídios naturais que ajudam a manter a unha coesa.

Esmaltação em gel, acrílico e remoção agressiva

O uso contínuo de esmalte em gel ou unhas de acrílico, sem pausas, resseca e afina a lâmina ungueal — mas o maior dano geralmente não vem do produto em si, e sim da remoção incorreta: lixar agressivamente ou arrancar a camada de gel remove junto parte da própria unha. Acetona em excesso, usada com frequência para remover esmalte comum, também resseca e fragiliza a unha ao longo do tempo.

Alterações hormonais e da tireoide

O hipotireoidismo é uma causa clássica de unhas finas, quebradiças e de crescimento lento — muitas vezes acompanhado de queda de cabelo e pele mais seca no mesmo período, o que reforço sempre investigar em conjunto. Alterações hormonais da menopausa também podem afinar a lâmina ungueal, de forma semelhante ao que acontece com a pele nessa fase.

Envelhecimento natural

Assim como a pele, a unha perde parte da sua capacidade de retenção de água e da produção de lipídios com a idade, ficando naturalmente mais fina, opaca e propensa a rachar — um processo que costuma andar lado a lado com os sinais de envelhecimento cutâneo que aparecem em outras áreas do corpo.

Condições dermatológicas associadas

Onicomicose (infecção fúngica), psoríase ungueal e líquen plano também causam fragilidade da unha, mas com características próprias — geralmente mudança de cor, espessamento ou descolamento da unha do leito ungueal, sinais que diferenciam essas condições de uma fragilidade puramente nutricional ou mecânica.

Como saber se é passageiro ou se merece investigação

Alguns sinais ajudam a diferenciar o que costuma resolver com ajustes simples de rotina do que pede avaliação:

  • Descamação em camadas na ponta (onicosquize): geralmente ligada a exposição à água/produtos de limpeza ou remoção agressiva de esmalte — costuma melhorar com proteção e hidratação
  • Rachaduras verticais (onicorrexe) associadas a queda de cabelo ou cansaço: vale investigar ferro, tireoide e outras causas sistêmicas
  • Mudança de cor, espessura ou descolamento da unha: sinal de alerta que não é explicado só por fragilidade — pode indicar fungo ou outra condição dermatológica
  • Piora progressiva mesmo com cuidados adequados: indica que a causa provavelmente não é só de hábito, e sim algo a ser investigado clinicamente

Tratamento para unhas fracas e quebradiças

O que fazer em casa

  • Use luvas para lavar louça e fazer limpeza doméstica, reduzindo o ciclo de molha-e-seca na unha
  • Hidrate a cutícula e a unha diariamente com óleo ou creme específico, não só as mãos
  • Dê pausas entre aplicações de esmalte em gel ou acrílico — a unha precisa de tempo para se recuperar
  • Remova esmalte em gel em salão especializado, nunca arrancando ou lixando de forma agressiva em casa
  • Mantenha uma alimentação equilibrada, com proteína, ferro e zinco em quantidade adequada

Reunimos também uma seleção de fortalecedores de unha avaliados clinicamente, tópicos e orais, que podem complementar a rotina, no artigo Unhas Fracas que Quebram: os Produtos que Indico como Dermatologista.

O que só o dermatologista indica

Quando a fragilidade não melhora com cuidados básicos, o primeiro passo é investigar a causa com exames de sangue — ferritina, zinco, função tireoidiana e, em alguns casos, vitamina D. A partir do resultado, o tratamento é direcionado: reposição do nutriente especificamente deficiente (não um suplemento genérico “para unha e cabelo”), tratamento da tireoide quando é o caso, ou tratamento antifúngico quando há suspeita de onicomicose confirmada por exame micológico.

O que NÃO fazer

  • Arrancar ou lixar esmalte em gel/acrílico em casa — remove camadas da própria unha junto com o produto
  • Ignorar mudança de cor ou espessura da unha achando que é “só ressecamento”
  • Manter as mãos na água/produtos de limpeza sem proteção, esperando que o hidratante sozinho resolva

Quando consultar um dermatologista

Vale buscar avaliação especializada quando:

  • A fragilidade não melhora após 2 a 3 meses de cuidados adequados
  • Há mudança de cor, espessamento ou descolamento da unha do leito ungueal
  • A unha quebradiça vem acompanhada de outros sinais, como queda de cabelo, cansaço excessivo ou pele muito seca — sinais que juntos podem apontar para uma causa sistêmica por trás
  • Existe dor, vermelhidão ou sinais de infecção ao redor da unha

Conclusão

Unhas fracas e quebradiças quase sempre tem explicação — e na maioria dos casos, a causa não é uma deficiência vitamínica isolada, mas uma combinação de exposição repetida à água, remoção incorreta de esmalte e, às vezes, um fator nutricional ou hormonal por trás.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), alterações como unhas fracas persistentes merecem avaliação dermatológica, já que podem ser tanto um sinal isolado de hábito quanto o primeiro indício de uma condição sistêmica. Com os cuidados certos — e, quando necessário, o diagnóstico correto — a unha responde bem e de forma relativamente rápida, considerando o tempo natural de crescimento da lâmina.

Revisado por Dra. Jéssica Soares — CRM/SP 254209 | RQE 126045 | Última atualização: agosto de 2026

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